Por que Deus permite o mal?

Por que Deus permite o mal?

Por que coisas ruins acontecem com pessoas boas? E o que isso diz acerca de Deus, pelo fato de tais coisas acontecerem? Pense no que os amigos e parentes das quase três mil pessoas que perderam suas vidas nos ataques terroristas em Nova Iorque e Washington no dia 11 de setembro de 2001 devem ter enfrentado. George Barna, pesquisador de opinião, foi certa vez encarregado de descobrir qual  pergunta as pessoas fariam a Deus caso tivessem a oportunidade. Com uma margem surpreendente, a pergunta mais urgente foi: “Por que há tanto sofrimento no mundo?”

Antes de entrarmos nas perguntas, pode ser proveitoso apresentar alguns pensamentos preliminares acerca do mal. O mal não é algo que possui existência em si mesmo, antes, é uma corrupção do que já existe. O mal é a ausência ou a privação de algo bom. O apodrecimento [de uma árvore], por exemplo, só pode existir enquanto existir uma árvore. A cárie só pode existir enquanto houver um dente. A ferrugem em um carro e um cadáver em decomposição ilustram a mesma coisa. O mal existe como uma corrupção de algo bom; ele é uma privação e não possui existência própria. Norman Geisler disse: “ o mal é como uma ferida no braço ou buracos de traça em uma roupa. Só existe apenas no outro, mas nunca em si mesmo”.

Claro, dizer que o mal não é uma coisa em si mesmo não é a mesma coisa que dizer que o mal não é real. O mal pode ser uma substância própria, mas ela envolve uma privação real de substâncias boas. Geisler enfatiza: “Não é uma entidade real, mas uma corrupção real em uma entidade real”. Árvores apodrecendo, carros enferrujando, dentes cariados, tumor no cérebro – todos exemplificam como o mal é uma corrupção de algo bom.

Uma coisa é entender o que o mal é. Outra coisa totalmente diferente é entender como esse mal pode existir em um mundo criado por Deus. O problema do mal pode ser visto, de maneira simples, como um conflito envolvendo três conceitos: o poder de Deus, a bondade de Deus e a presença do mal no mundo. O senso comum nos diz que os três conceitos não podem ser verdadeiros ao mesmo tempo. Soluções para o problema do mal geralmente envolvem modificação de um ou mais destes três conceitos: Limitar o poder de Deus, limitar a bondade de Deus ou modificar a existência do mal (tal como chamar o mal de ilusão).

Se Deus não tivesse reivindicado ser bom, então a explicação para a existência do mal seria fácil. Mas Deus realmente reivindica ser bom. Se Deus fosse limitado em poder de sorte que não fosse forte o bastante para resistir ao mal. A existência do mal seria mais fácil de ser explicada. Mas Deus, de fato, reivindica ser todo poderoso. Se o mal fosse apenas uma ilusão que não tivesse realidade, o problema, para início de conversa, sequer existiria. Mas o mal não é uma ilusão. Ele é real.

Hoje enfrentamos a realidade tanto do mal moral (mal cometido por agentes morais livres, envolvendo coisas tais como, guerra,crime,crueldade,lutas de classe,discriminação,escravidão,limpeza étnica, ataques suicidas e várias outras injustiças) e o mal natural (envolvendo coisa como furacões, enchentes, terremotos e coisas do gênero). Deus é bom, Deus é todo poderoso, entretanto, o mal existe. Este é o problema do mal em sua forma mais básica.

Pensadores eminentes, tais como David Hume , E.G Wells e Bertrand Russel concluíram, com base em suas observações do sofrimento e do mal, que o Deus da bíblia não existe. Hume disse, de maneira sucinta, quando escreveu sobre Deus: “Ele quer impedir o mal, mas não é capaz? Então ele é impotente. Ele é capaz, mas não quer? Então ele é malevolente. Ele é capaz e quer: qual a origem do mal?”. Se existe um Deus – e ele é plenamente bom e todo poderoso, então, atrocidades tais como o extermínio de seis milhões de judeus por parte de Hitler jamais teriam acontecido.

A criação original foi  “muito boa” (Gênesis 1.31). Não havia nenhum pecado, mal, dor e nenhuma morte. Todavia, hoje o mundo está permeado pelo pecado, mal, dor e morte. O que fez com que chegássemos a isso? A Bíblia indica que a queda começou no momento em que Adão e Eva fizeram uso do seu livre-arbítrio concedido por Deus para escolher desobedecê-lo (ver gênesis 3).

Algumas pessoas se perguntam por que Deus não criou os humanos de tal forma que jamais pecassem, de forma a evitar por completo o problema do mal. A questão é que tal cenário não faria de nós humanos. Não teríamos a capacidade de fazer escolhas e de amar livremente. Este cenário exigiria que Deus criasse robôs que só agiriam de maneira programada – como uma boneca falante que você aperta o botão e ela te diz “Eu te amo”. Paul Little observa que tal boneca “não haveria discussões, conflitos, nada dito ou feito que te deixasse triste. O amor é voluntário. Deus poderia ter nos criado robôs, mas deixaríamos de ser homens. Deus, aparentemente, pensou que fosse melhor correr o risco de nos criar da forma que somos.

O amor não pode ser programado; ele deve ser expresso livremente. Deus queria que Adão e toda a humanidade demonstrasse amor ao escolher livremente a obediência. É por isso que Deus deu a Adão e a todos os outros humanos o livre-arbítrio. Geisler está correto em dizer que “o amor forçado é estupro; e que Deus não é estuprador divino. Ele não fará nada para coagir a decisão dos homens”. Uma escolha livre, todavia, deixa a possibilidade de uma escolha errada. Como J. B Phillips disse: “o mal é inerente ao dom arriscado do livre-arbítrio”.

O fato de que os humanos usaram a escolha livre concedida por Deus para desobedecer a Deus não surpreendeu a Deus. C.S. Lewis sugere que Deus, em sua onisciência, “viu que de um mundo de criaturas livres, ainda que  tenham caído,ele poderia realizar… uma felicidade mais profunda e um esplendor mais pleno do que qualquer mundo de autônomos admitiria” . Ou, conforme Geisler tão bem expressou : o teísta não tem que reivindicar que nosso mundo atual é o melhor dos mundos possíveis, mas é a melhor forma para o melhor mundo possível”.

Se Deus quer tanto preservar a liberdade quanto derrotar o mal, então esta é a melhor forma de fazê-lo. A liberdade é preservada naquela pessoa que faz sua própria escolha livre para determinar seu destino. O mal é vencido nisso, uma vez que os que rejeitam a Deus são separados dos outros, as decisões de todos tornam-se permanentes. Os que escolhem a Deus serão confirmados e o mal deixará de existir. Os que rejeitam a Deus estão em isolamento eterno e não podem aborrecer o mundo perfeito que se fez. O propósito final de um mundo perfeito com criaturas livres terá sido alcançado, mas a forma para se chegar a tal, exige que os que abusam de suas escolhas sejam expulsos.

Um fator criticamente importante na sugestão de que esse pode não ser o melhor mundo possível, mas que é a melhor maneira para o melhor mundo possível, é que Deus ainda não concluiu o seu plano. Geralmente as pessoas caem na armadilha de pensar que, em razão de Deus ainda não ter lidado com o problema do mal, que ele não está lidando com o mal de jeito nenhum.  O fato de o mal não estar destruído neste exato momento, não significa que o mal nunca será extinto. A existência do mal no mundo é visto como sendo compatível com a existência de um Deus totalmente bondoso e totalmente poderoso. Podemos resumir os fatos dessa maneira:

  1. Se Deus é totalmente bom, ele derrotará o mal.
  2. Se Deus é totalmente poderoso, ele pode derrotar o mal.
  3. O mal ainda não está derrotado.
  4. Portanto, Deus pode um dia derrotar o mal.

Um dia, no futuro, Cristo retornará, arrancará o poder dos ímpios e toda a humanidade precisará prestar contas pelas coisas que fizeram enquanto na terra (ver Mateus 25.31-46;Apocalipse 20.11-15). A justiça, por fim, prevalecerá. Os que entrarem na eternidade sem terem confiado em Jesus Cristo para a salvação, entenderão perfeita e eficazmente como Deus lidou com o problema do mal.

Uma pergunta aos ateus:

Para fins de ilustração eu gostaria de tirar Deus da questão. Suponhamos que Deus não exista e que a teoria evolutiva seja uma verdade absoluta. Como podemos aprender anteriormente nesse mesmo texto, o mal não existe em si mesmo, ele precisa do bem para existir. Então em cima dessa questão podemos fazer uma pergunta: Como sabemos que o mal existe? Certamente que tenha que haver algo bom para colocarmos como comparação, não é mesmo?  Se existe o bem e o mal, deve existir uma lei universal que determine o que é bom e o que é ruim. Mas para haver uma lei universal é preciso que haja um legislador universal (Deus).

Mas se esse legislador universal não existe, como podemos dizer que algo é realmente bom e que algo é realmente ruim? Quem, afinal, determinou que isso é certo e que aquilo é errado? O próprio homem é quem decide? Se sim, você não tem nenhum motivo para criticar alguém que cometa um crime pois é o próprio ser humano que decide o que é certo e o que é errado. Cada um pensa de um jeito. Cada um faz o que na sua cabeça acha certo ou errado. E então a natureza, seria ela uma fonte de moralidade para o comportamento humano? Eu acredito que não pois coisas que o nosso senso comum consideram um absurdo são perfeitamente normais no mundo da natureza. Por exemplo: Algumas fêmeas de aranha matam seus parceiros depois da cúpula e alguns leões adultos devoram seus filhotes para se alimentar. Para nós ,humanos, isso seria abominável.
Perceba, pelas regras da evolução das espécies, baseada especialmente na competição e na sobrevivência do mais apto,  o engano,  o abandono dos doentes e o assassinato em busca de alimentos, etc. não poderiam ser considerados imorais, pois seriam apenas o comportamento natural das leis da sobrevivência.  Por exemplo: Se você estiver com fome e não tiver o que comer e na sua frente passar alguém com uma sacola cheia de pães, de acordo com a teoria evolutiva, não é errado que você venha a matar aquela pessoa e tomar-lhe o que ela tem pois essa é uma regra básica de sobrevivência. Que vença o melhor, que vença o mais forte e apto, é exatamente isso que diz a teoria evolutiva.  Não existe espaço para o altruísmo e a solidariedade  na teoria da evolução. E isso não sou eu quem estou dizendo. O próprio Darwin disse que não existe, e ele foi muito preciso ao afirmar que não existe, deixando bem claro que não haveria a possibilidade de que um dia alguém pudesse descobrir. Afinal de contas, a regra da evolução é baseada em sobreviver e não ajudar.

A verdade é que se é impossível distinguir o mal do bem a menos que tenhamos um ponto de referência infinito que seja absolutamente bom. Caso contrário o juiz será igual a uma pessoa em um barco no mar em uma noite nublada e sem bússola (isto é, não haveria como distinguir o norte do sul sem um ponto de referência absoluto da seta da bússola).

O ponto de referência absoluto para distinguir o bem do mal só pode ser encontrado na pessoa de Deus, pois somente Deus pode esgotar toda a definição de “absolutamente bom”. Se Deus não existir, então não há absolutos morais pelos quais alguém tenha o direito de julgar algo (ou alguém) como sendo mal. Mais especificamente, Se Deus não existe, não existe critério para julgar por exemplo, os crimes de Hitler. Visto dessa forma, a realidade do mal, na verdade, exige a existência de Deus em vez da refutação de que Ele existe.

5 comentários

  1. “Mas se esse legislador universal não existe, como podemos dizer que algo é realmente bom e que algo é realmente ruim? Quem, afinal, determinou que isso é certo e que aquilo é errado? O próprio homem é quem decide? Se sim, você não tem nenhum motivo para criticar alguém que cometa um crime por exemplo, pois é o próprio ser humano que decide o que é certo e o que é errado. Cada um pensa de um jeito. Cada um faz o que na sua cabeça acha certo ou errado.” – Bom, o mesmo pode ser dito de pessoas que usam religião ou o nome de deus para cometer atrocidades e você o acha correto? Acho que não.

    Outra coisa; você, Helio, abomina a escravidão? Acredito que sim. Mas e o deus da bíblia? Não, ele não abomina. Não estou afirmando que ele goste, apenas que ele permite tais coisas e ainda como cuidar de seu escravo. Agora, corrija-me se eu estiver enganado, quem criou leis para que abolissem a escravidão? O homem. Se houver alguma parte da bíblia que diz para abolir a escravidão, me diga por favor. Bom, se o homem abomina a escravidão, mas deus não, quem tem moral nessa história?

    Outra, fique com esse vídeo em que podemos ver que há indícios de moralidade na natureza:

    • Amigo, a interpretação de João 8 na Bíblia que instigou os homens a acabar com a escravidão. A Igreja desde sempre foi contra a escravidão, existem inúmeros membros durante sua história, santos, freis, frades, padres, que eram negros sim, até negras mesmo. Existem bulas de Papas que condenam a escravidão também, então não venha dizer que o Cristianismo apoia. O próprio Código Justiniano, que ressaltou os direitos civis no período romano, houve um declínio imenso da escravidão naquela época. Os próprios ingleses do sec. 18 rezavam para que os negros e escravos fossem libertos, e foram todos cristãos conservadores para dizer a verdade. Como comprovar o que digo? Basta ver William WIlberforce que era um cristão evangélico e foi o estopim para a abolição da escravatura na Inglaterra, o primeiro país a definitivamente parar a escravidão de negros. E como vários pensadores anti-escravidão puderam pensar como ele? Por que a escravidão só teve fim em uma região majoritariamente cristã? Foi justamente por este lugar ser cristão cara… A interpretação foi, eles também são nossos irmãos… Como diz João 8, palavras de Deus…

      • Se você reler meu comentário verá que em nenhum momento eu digo que Deus ou a igreja apoiava a escravidão. Eu disse que Deus permite e não condena tal ato, isso é fato. “… eles também são nossos irmãos”, ou seja, diz que todos os homens são filhos de deus, portanto, são nossos irmãos, certo? Isso ainda não diz que recrimina ou repudia a escravidão de forma alguma. Se igreja sempre foi contra a escravidão isso eu não sei dizer, mas a visão abolicionista se deve aos pensamentos filosóficos iluministas da época (esses mesmos homens eram de maioria cristãos? sim, mas não deixavam de ser homens, então isso foi um ponto para humanidade). E, engano seu, o primeiro país foi a Dinamarca, como se isso fizesse diferença. Enfim, várias das coisas que você disse apenas comprova ainda mais que não existe uma moral absoluta, mas que a nossa moral evoluiu com o tempo.

  2. Pecado. Não há mais nada que “limite” Deus aos homens.
    Isaías: 59. 1. Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para que não possa ouvir; 2. mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados esconderam o seu rosto de vós, de modo que não vos ouça. – Bíblia JFA Offline

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