Rota do Êxodo: localizando os acontecimentos do Monte Sinai e do Mar Vermelho

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Onde ocorreram os acontecimentos descritos no Êxodo? Poderíamos encontrar a localização geográfica desses lugares  nos dias atuais? – É exatamente isso que esse texto espera provar. Vamos fazer um breve estudo sobre os tempos de Moisés e tentar localizar no mapa onde ocorreram aquelas histórias narradas na Bíblia. Vou deixar links em cima de cada palavra da possível localização. Portanto, quando ler o nome de uma cidade ou local que esteja com uma cor avermelhada, clique em cima que você será direcionado ao mapa.

Há várias hipóteses com relação a localização desses lugares, mas eu gostaria de dar ênfase a duas apenas – pois são essas as mais conceituadas por vários estudiosos de arqueologia e história.  De um modo geral, essas hipóteses pertencem a duas categorias, alguns eruditos acreditam numa rota setentrional, outros preferem uma meridional.  Há muito a dizer a favor de ambas, e cada uma pode se apoiar em referências bíblicas e modernas descobertas arqueológicas; a maioria, porém, dos estudiosos modernos é amplamente favorável a rota meridional.

Segundo os eruditos “setentrionais”, o Mar dos Juncos (“Mar Vermelho” [Ex 13:18] é a tradução incorreta do hebraico iam-suf , que significa, ao pé da letra, “Mar dos Juncos”) era o que se conhece agora como Lago Bardawil, situado entre  Kantara e El Arish, de oeste para leste, e, do norte para o sul, entre o Mediterrâneo por uma faixa muito estreita de terra, variando em largura de 90 a 800 metros.

Bardawil é um lago de sal que está no Egito , na costa norte da Península do Sinai.  Os
Bardawil é um lago de sal que está no Egito , na costa norte da Península do Sinai. Os “setentrionais” acreditam que esse seja o lugar aonde os israelitas atravessaram fugidos do exército egípcio.

Essa faixa fazia parte, em tempos antigos, da grande estrada litorânea do Egito a Canaã e  Mesopotâmia, denominada na Bíblia o “caminho do país dos Filisteus”. As águas de Bardawil são extremamente rasas (em certas partes mal chegam a meio metro), mesmo agora quando, em vários pontos ao longo da faixa, grandes pedaços foram escavados a fim de permitir às águas do Mediterrâneo fluir para o lago (e assim enriquecer sua reserva de peixes). Nos tempos antigos, quando a faixa estava intacta, deve ter sido muito mais rasa. Além disso, esse lago é varrido por ventos extraordinariamente fortes, e por vezes as partes mais rasas quase não são cobertas de água. Sugere-se por isso que uma travessia israelita do Bardawill, da estreita faixa setentrional em direção ao sul às dunas de areia, estaria de acordo com o relato bíblico. Os carros egípcios por serem pesados, teriam ficado atolados no leito do lago e então, com o vento mudando de intensidade ou direção, as águas teriam subido, tragando-os para baixo.

Dali, segundo essa hipótese, o restante da rota através do deserto se teria restringido à parte setentrional da penísula do Sinai. Onde, então, poriam os eruditos “setentrionais” o Monte Sinai? Ninguém pode se comprometer com uma localização específica, mas alguns sugeriram Djebel Hibel como local possível. É uma montanha no Sinai norte-oriental situada a sudoeste de Abu Avugeila e Djebel Libne, nomes que se tornaram famosos em nossos dias nas campanhas do Sinai de 1956 e 1967. Daí os Israelitas teriam prosseguido uma curta distância para leste até Cades Barnéia, onde permaneceram durante a maior parte dos seus anos no deserto. Embora os estudiosos divirjam sobre a localização do Mar dos Juncos e do Monte Sinai concordam todos – mesmo aqueles que são adeptos da “rota meridional” – que Cades Barnéia é o grande oásis no Sinai norte oriental atualmente conhecido como Ain el-Kudeirat, perto de Kusseima, uns 80 quilômetros ao sul de Beer-Sheba.

A hipótese “meridional” – de que os israelitas só teriam alcançado Cades Barnéia após errar em redor do sul do Sinai – parece adaptar-se melhor ao relato bíblico. Baseia-se também numa tradição antiga. Além disso, diz a Bíblia: “Quando o Faraó deixou o povo ir, Deus não os levou pelo caminho da terra dos filisteus [a estrada litorânea setentrional], embora fosse o mais curto; pois disse: ‘O povo poderá arrepender-se vendo guerra, e voltar ao Egito’.” (Ex. 13:17.). Eles certamente teriam visto muita guerra se tivessem seguido – sem se afastar – a estrada setentrional ao longo da costa mediterrânea. Pois precisamente por ser a rota direta e “a mais curta”, era intensamente usada por exércitos e caravanas de comércio, últimas pessoas que os escravos fugidos teriam desejado encontrar. Os adeptos da hipótese “setentrional” estão bem cônscios dessa aparente contradição, mas alegam que Moisés apenas começou pela estrada setentrional, mas depois cruzou o Lago Bardawil em direção ao sul. Isso os teria levado à área das dunas, infrequentada naquele tempo.

Os “meridionais”, todavia, sustentam que os israelitas tomaram a direção sudeste pouco depois de saírem do Egito, e identificam o Mar dos Juncos com os Lagos Amargos, que ficam entre a atual Ismaília e Suez, o porto de extremidade norte do Golfo de Suez. O Grande Lago Amargo está ligado ao Pequeno Lago Amargo por um estreito em que ainda hoje a água é pouco profunda. Mas antes da construção do Canal de Suez não era incomum que o estreito se tornasse seco, expondo uma faixa pela qual se poderia facilmente caminhar. Ocorria isso nas ocasiões em que o nível da água baixava no Golfo de Suez. Subindo Novamente, a água começava a filtrar-se pelo leito do estreito, transformando-o em lama e pouco depois haveria uma súbita enchente, a água correndo, cobrindo o estreito e obliterando a divisão entre os dois Lagos Amargos. Deve-se dizer que esse fenômeno combina perfeitamente com o relato bíblico. Explica o temor dos israelitas acampados à beira dessa faixa de passagem – sem o saberem – quando a água estava alta, não vendo como escapar dos egípcios que avançavam; as águas “divididas” ao raiar do dia, com o Grande Lago Amargo de um lado e o Pequeno Lago Amargo do outro; os carros egípcios atolados; e depois as águas correndo para cobri-los.

Segundo essa hipótese “meridional”, os israelitas, após atravessar os Lagos Amargos e caminhando curta distância para o interior, seguiram na direção sul pela margem oridental do Golfo de Suez, passando pelas atuais Port Taufik (também chamada de Golfo de Suez), Ras Sudar e Abu Rudeis, depois tomando o rumo leste até Wadi Firan, e daí o Monte Sinai.

Oásis de Wadi Frian: acredita-se que esse seja o local do Elim Bíblico, hoje bem aguado e luxuriante de palmeiras e tamargureiras, que refrescaram a disposição os israelitas após sua decepção em Marah
Oásis de Wadi Frian: acredita-se que esse seja o local do Elim Bíblico, hoje bem aguado e luxuriante de palmeiras e tamargueiras, que refrescaram a disposição os israelitas após sua decepção em Marah

Nenhum erudito está disposto a identificar o Monte Sinai como o atual Djebel Musa, mas uma antiga tradição cristã mantinha ser esse desolado pico, no ermo, intimidativo e acidentado terreno montanhoso do Sinai meridional, o monte onde Moisés recebeu os Dez Mandamentos. No século IV o imperador Constantino erigiu uma capela, para marcar o que se acreditava ser o lugar da sarça ardente ao pé duma encosta mais baixa próxima, junto com uma torre de refúfgio para ermitãos. No século VI o imperador Justiniano I acrescentou todo um conjunto monoástico, cercando-o com uma alta muralha de granito cinzento. Vários séculos depois tornou-se conhecido como Mosteiro de S. Catarina, e a estrutura atual é basicamente a construção semelhante a uma fortaleza de Justiniano.

é uma montanha do norte de Marrocos, situada na costa do estreito de Gibraltar, entre Ceuta e Tânger. Alguns acadêmicos acreditam que esse seja o lugar aonde Moisés recebeu os Mandamentos, mas é pouco provável pela localização geográfica que ele se encontra.
Djebel Musa é uma montanha do norte de Marrocos, situada na costa do estreito de Gibraltar, entre Ceuta e Tânger. Alguns acadêmicos acreditam que esse seja o lugar aonde Moisés recebeu os Mandamentos, mas é pouco provável pela localização geográfica que ele se encontra.

Qualquer que seja a localização exata do Monte Sinai, acham os teoristas “meridionais” que fica em algum ponto na montanhosa região sul da penísula. Tomando esse caminho, os israelitas teriam uma probabilidade mínima de encontrar tropas egípcias. Tampouco as encontrariam quando, após Entrega da lei, seguissem na direção noroeste, talvez pela margem ocidental do atual  Golfo de Akaba, e para o norte até Cades Barnéia.

É preciso dizer, contudo, que, em termos da história de Israel, qualquer discussão da rota do Exôdo é de interesse apenas acadêmico. Pois permanece o fato básico: onde quer que tenha ocorrido na penísula do Sinai a cerimônia na qual os Mandamentos e o Pacto foram recebidos, foi essa ocasião momentosa que lançou os alicerces da religião e da nação judaica.

Referências bibliográficas: In the footsteps of Moses –  Moshe Pearlman

Wikipédia

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