A Ciência e o Cristianismo são aliados ou adversários?

47576159 - science and religion.No ano de 1986, Andrew Dickson White, o presidente da Universidade de Cornell, publicou um livro intitulado A History of the Warfare of Science with Theology Christian (História do Combate entre Ciência e a Teologia na Cristandade). Sob a influência de White, a metáfora do combate para descrever as relações entre ciência e a fé cristã foram disseminadas durante a primeira metade do século XX. A visão culturamente dominante em nossa sociedade – até mesmo entre os cristãos – veio a ser de que a ciência e o cristianismo não são aliados na busca pela verdade, mas adversários.

O que aconteceu, todavia, durante a segunda metade do século XX foi que os historiadores e filósofos da ciência perceberam que esta suposta história de combate é um mito.  Como Charles Thaxton e Nancy Pearcey enfatizaram em seu livro The Soul of Science (A Alma da Ciência), por mais de trezentos anos, o relacionamento entre a ascenção da ciência moderna nos anos 1500 e o final dos anos 1800, o relacionamento  entre ciência e religião pode ser melhor descrito como uma aliança. O livro de White é agora considerado como uma espécie de piada de mau gosto, uma propaganda distorcida e unilateral. Hoje a obra é citada apenas como exemplo de como NÃO fazer história da ciência.

Os historiadores da ciência agora reconhecem o papel indispensável exercido pela fé cristã no crescimento e desenvolvimento da ciência moderna. A ciência não é algo que seja natural à humanidade. Como o escritor da ciência Loren Eisley ebfatizou, a ciência é ”uma instituição cultural inventada” que exige “um solo único” a fim de florescer. A ciência moderna não surgiu no Oriente ou na África, mas na civilização ocidental. E por quê? Devido à contribuição singular da fé cristã à civilização oriental.  Conforme Eisley diz: “Foi o mundo cristão que, por fim, deu origem à maneira clara e articulada ao método da própria ciência”.

Em contraste com as religiões orientais e populares (vulgares), o cristianismo não vê o mundo como divino ou habitado por espíritos, antes, como o produto natural de um criador transcendente que projetou o mundo e o trouxe à existência. Assim sendo, o mundo é um local racional que está aberto à exploração e descoberta. Até o final dos anos 1800 os cientistas eram, geralmente, cristãos que não viam conflito algum entre ciência e sua fé – homens como Kepler, Boyle, Maxwell, Faraday, Kelvin e outros. Aliás, pode ser muito interessante para você ler um outro artigo que  escrevi recentemente ; Um Breve Passo a Passo dos Cientistas Cristãos na História. Nele você encontrará uma lista com todos os grandes cientistas cristãos que contribuíram bastante para o crescimento e fortalecimento da ciência moderna. Prosseguindo, então, com o texto,   a ideia de uma batalha entre ciência e religião é uma invenção relativamente recente, do final do século XIX, um mito cuidadosamente alimentado por pensadores seculares que tinham por ebjetivo minimizar o domínio cultural do cristianismo e substituí-lo pelo naturalismo – a visão de que nada fora da natureza é real e a única forma de descobrir a verdade é através da ciência (experimentação). Eles foram surpreendentemente bem-sucedidos na disseminação de suas ideias.

Mas os filósofos da ciência, durante a metade do século XX, perceberam que todo o empreendimento científico está embasado em certas suposições que não podem ser cientificamente provadas, mas que são garantidas pela cosmovisão cristã, por exemplo, as leis da lógica, a natureza ordeira do mundo externo, a validade da razão indutiva e a objetividade dos valores morais utilizados na ciência. Quero enfatizar que a ciência não poderia sequer existir em tais suposições e, entretanto, estas suposições não podem ser científicamente provadas. São suposições filosóficas, que, de maneira interessante, são partes e parcela da cosmovisão cristã. Deste modo, a teologia é uma aliada da ciência visto que pode oferecer uma estrutura na qual a ciência pudesse existir. Mais que isso, a religião forneceu, historicamente, a estrutura conceitual na qual a ciência moderna nasceu e foi alimentada.

Estamos, deste modo, vivendo uma era de interesse renovado nas relações entre ciência e teologia cristã. De fato, durante os últimos vinte e cinco anos do século XX, tem acontecido um diálogo próspero entre ciência e a teologia na América e na Europa. Várias associações e sociedades promotoras deste diálogo surgiram: a European Society for the Study os Science and Theology (Sociedade Europeia para o Estudo da Ciência e Teologia), Science and Religion Forum (Fórum da Ciência e Religião), Center for Theology and Natural Science (CTNS) [Centro de Teologia e Ciências Naturais], e assim por diante. As constantes conferências patrocindas pelo CTNS e o observatório do Vaticano têm sido particularmente significantes, nas quais cientistas proeminentes, assim como Stephen Hawking e Paul Davies exploraram as implicações da ciência para a teologia juntamente com teólogos proeminentes, tais como John Polkinghorne e Wolfhart Pannenberg. Não apenas há periódicos especializados voltados para o diálogo entre ciência e religião, tal como Zygon and Perspectives on Science and Christian Faith (Perspectivas sobre Ciência e Fé Cristã), mas mais significante em nossos dias que tanto a Universidade de Cambridge e a Universidade de Oxford criaram cátedras em ciência e teologia. Digo tudo isso simplesmente para se opor a um mito cultural, um mito que está enraizado na ignorância e que é, atualmente, rejeitado pela maioria dos eruditos e acadêmicos – o mito de que a ciência e a fé cristã são inerentemente adversárias em vez de aliadas na busca pela verdade.

  • Andrew Dickson White, A History of the Warfare of Science with Theology Christendom, 2 vols, reimpressão. (New York: Dover, 1960).
  • Charles B. Thaxton and Nancy R. Pearcey, The Soul of Science (Wheaton, III.:Crossway, 1994).
  • Loren Eiseley, “Francis Bacon, “em The Horizon Book of Makers od Modern Thought (New York: American Heritage, 1972), pp.95-96.
  • Loren Eiseley, Darwin`s Century (Garden City, N.Y.: Doubleday, 1961), p.62.
  • William Lane Craig, Who Made God – And Answers to Over 100 Other. pp 51-54.

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