O Argumento de Sintonia Fina para demonstrar a existência de Deus.

O argumento de sintonia fina do universoO fato de que o universo existe não é garantia de que ele permita vida. Os cientistas uma vez pensaram que seja lá quais foram as condições iniciais do universo, por fim, o universo evoluiria às formas complexas de vidas que vemos hoje. Uma das descobertas mais recentes em relação à origem da vida, todavia, foi a descoberta de quão ajustado o nosso universo precisava estar desde o momento do Big Bang para que a vida pudesse ter sido originada no cosmo. Durante as últimas três décadas ou aproximadamente isso, os cientistas ficaram assombrados com a descoberta de quão complexo e sensível o equilíbrio das condições iniciais precisam ser dadas a teoria do Big Bang a fim de que o universo permita a origem e a  evolução da vida.  Nos  vários campos da física e astrofísica, cosmologia clássica, mecânica quântica e bioquímica, descobertas reiteradamente mostraram que a existência da vida depende de um  equilíbrio delicado de constantes físicas e quantidades. Se tais fossem levemente alterados, o equilíbrio seria destruído e a vida não existiria. De fato, em muitos casos, nem mesmo as estrelas e planetas, nem mesmo a química, nem mesmo a própria matéria atômica existiria, muito menos a vida biológica. Na verdade, o universo parece ter sido incompreensivelmente ajustado de maneira precisa a partir do momento de seu início para permitir a existência de vida inteligente.

Por exemplo, mudanças na força gravitacional ou na força eletromagnética em apenas uma parte em 1040 teriam impedido a existência de estrelas como o nosso sol, impossibilitando a vida. Uma diminuição ou aumento na velocidade da expansão em apenas uma parte em um bilhão quando a temperatura do universo estava 1010  graus ou teria resultado no colapso do universo há muito tempo, transformando-o em uma bola de fogo, ou excluído as galáxias de se condensarem, sendo que ambos os casos impossibilitariam a vida. A assim chamada constante cosmológica, crucial para o desenvolvimento do nosso universo, deve estar inexplicável e precisamente ajustada a uma precisão de uma parte em 1053 a fim de que um universo que permita a vida exista. Estas são apenas algumas das muitas constantes e quantidades que precisam estar precisamente ajustadas para que o universo permita a vida.

maxresdefaultE não é apenas a quantidade que precisa estar precisamente ajustada, mas as suas proporções de uma para com a outra também precisam estar precisamente ajustadas. Desta forma, a situação não é meramente como uma roleta russa em Monte Carlo apresentando certo conjunto de números; é mais como uma roleta russa em Monte Carlo apresentando certos conjuntos de números e tais números também precisam manter certas proporções uns com os outros. Por exemplo, o número um na roleta russa deve ser sete vezes o número de outra roleta russa e um terço de número de outra roleta russa. A existência de um universo que permita a vida é incrivelmente improvável.

Como devemos entender a noção da probabilidade de um universo que permite vida? John Barrow, físico britânico, nos dá uma ideia. Ele nos convida a colocar um ponto vermelho em uma folha de sufite e deixar que aquele ponto represente o universo. Agora, altere minimamente as condições iniciais, e deixe que este ponto represente um universo diferente.  Se for um universo que permite a existência da vida, coloque um ponto vermelho; se for um universo que não permite a existência da vida, coloque um ponto azul. Faça isso repetidas vezes até que a folha de sufite esteja repleta de pontos. Você sabe qual o resultado? Haverá uma miríade de pontos azuis com apenas pouquíssimos pontinhos vermelhos. É neste sentido que pode ser dito que a existência de um universo que permita a existência da vida é inacreditavelmente improvável.

Às vezes as pessoas dirão: ‘’Sim, o nosso universo é improvável. Mas qualquer universo é igualmente improvável. É como ganhar na loteria. A vitória de qualquer pessoa é altamente improvável, mas alguém precisa ganhar’’. O que esta objeção ajuda a revelar é que não é apenas a probabilidade que está em jogo aqui, mas a probabilidade específica. Não se trata da possibilidade da existência de um outro universo, mas da probabilidade da existência de um universo que permita a vida. Assim sendo, a analogia correta seria uma loteria em que um octilhão de bolas pretas fossem misturadas juntamente com apenas uma única bola branca e pedissem para que você, com os olhos vendados, pegasse uma bola. Ao passo que todas as bolas possuem uma probabilidade igual de serem escolhidas, contudo, é avassaladoramente mais provável que, independente da bola que for pega, provavelmente será uma bola preta e não a única bola branca. Para completar a analogia, imagine agora que sua vida dependa de que a bola seja a branca; pegue uma bola branca, mas caso pegue uma bola preta, você será morto! Se você, de olhos vendados, esticar a sua mão e, dentre aqueles “zilhões” de bolas pretas e depois descobrir que pegou a bola branca, você, com razão, suspeitará que aquilo foi armado. Se ainda tem dúvidas, imagine que, para impedir sua execução, você precisasse repetir o processo e pegar a bola branca mais três vezes em seguida. As probabilidades envolvidas não seriam significantes diferentes, mas só um louco poderia pensar que isso pode ser feito por acaso.

Referências:

  • M. Wersigner, “Genesis: The Origin of the Universe’’ pg 9-12
  • Barrow, John D, “The World within the World” (tradução feita por Florbela Fernandes e José Carlos Fernandes. Lisboa: Gradiva, 1998.
  • William Lane Craig, “Who Made God” pg 61-63.

 

Se esse texto não for bom o suficiente para lhe convencer, talvez esse outro dos nossos amigos do Razão em Questão esteja mais completo.

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