O Argumento Ontológico e a Impossibilidade Lógica do Politeísmo.

 

Como o argumento ontológico pode demonstrar a impossibilidade do politeísmo? Primeiramente, claro, é preciso que você – leitor – conheça o argumento em questão. Você pode ter uma introdução a ele neste link: Argumento Ontológico – Uma Breve Explanação – de Anselmo a John Locke. Porém, é preciso dizer que mesmo que você não aceite o argumento ontológico como argumento, isto é, que de fato demonstre a existência do maior ser concebível. Todavia pense que a definição Anselmiana de Deus esteja correta; então, acompanhe o raciocínio do post, pois o raciocínio será válido tanto para aquele que aceita o argumento ontológico, como para aquele não o aceite, mas pensa que, se Deus existe, ele deve ser o maior ser concebível, como apontou Anselmo.

O raciocínio, na verdade, não é difícil pelo contrário, este post será curto e simples. Assim se desenvolve o raciocínio: Deus, de acordo com Anselmo, deve ser o maior ser concebível, isto é, o ser acima do qual não se pode pensar nada maior, o ser perfeitíssimo. O que isso significa? Significa que Deus, no mínimo, deve conter todos os atributos de perfeição imagináveis. Pois, se não os possuir, então é um ser acima do qual pode ser pensado maior; logo, não é o maior ser concebível.

Posto isso, basta pensarmos nas qualidades que um ser perfeitíssimo deveria ter. Ora, a primeira objeção que pode ser feita ao politeísmo através do argumento ontológico é que, se existe mais de um Deus, ele(s) precisa(m) ser distinto(s) um/uns do(s) outro(s). Porém, e esse é o ponto nevrálgico, se algum deus possui algo que o outro deus não possui, segue-se que um dos deuses tem deficit de alguma característica de perfeição e, portanto não pode ser o maior ser concebível, logo não pode ser Deus. Porque é maior – qualitativamente – o ser que não possui deficit de nenhuma característica de perfeição.

Neste momento, alguém poderia objetar dizendo: Mas isso não se aplica se eu pensar em vários deuses iguais com as mesmíssimas características. Porém, com isso, surgem três problemas. Primeiro, se não há nenhuma diferença entre os deuses, como distingui-los? É impossível fazer distinção dentre os deuses se eles não possuem diferenças – possuir algo que o(s) outro(s) não possui(em). O segundo problema é a Navalha de Occam. A Navalha de Occam é um princípio filosófico, amplamente aceito, que diz que não devemos multiplicar as coisas além do necessário arbitrariamente, isto é, sem nenhuma boa razão. Assim sendo, tentar escapar da objeção afirmando que os deuses são idênticos, é multiplicar as coisas arbitrariamente, visto que apenas um único deus seria suficiente para tudo o que os dois poderiam fazer juntos. O que nos leva ao terceiro problema. Ora, se os deuses são exatamente iguais, segue-se que a existência de um deles é indiferente, pois tudo o que um dos deuses faz e é, o(s) outro(s) também faze(m) e é/são. Portanto, como supracitado, se a existência de um dos deuses é indiferente, visto que não faria a menor diferença se um deles deixasse de existir, segue-se que a existência dele é inútil. Porém, o maior ser concebível não pode, de forma alguma, ser inútil, visto que é melhor ser útil que inútil; Destarte, não pode ser Deus.

Assim sendo, se a definição tradicional de Deus estiver correta, o politeísmo se torna logicamente impossível.

 

Fonte: goo.gl/zdKCFucontent_copy

 

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