A Futilidade da Vida Sem Deus

O-Grito

“Nenhum projeto, nenhum propósito, nenhum mal e nenhum bem, nada além de cega e impiedosa indiferença.”1

Talvez, você já tenha se perguntado: que diferença faz se Deus existe? Ou seja, quais as implicações da existência ou não, de Deus? De fato, a princípio, parece não haver muita diferença entre Deus existir ou não. Parece-nos apenas que não há vida após a morte; não havendo, portanto, céu e inferno, ou seja, sem punição ou gozo eterno. O que a priori não nos parece grande coisa. Alguns até preferem que seja assim, pois, desse modo, não correm o risco de serem punidos por toda eternidade devido à justiça de Deus.

Contudo, se pensarmos com mais afinco sobre essa questão, veremos que, na verdade, a questão da existência de Deus traz consigo implicações muito maiores do que comumente pensamos. Sendo, na verdade, a questão mais importante da humanidade.

                                        Ausência de Valores Morais Objetivos

Uma das grandes implicações da não existência de Deus é que, se Deus não existe, não existem valores e deveremos morais objetivos. Mas antes de adentrarmos na argumentação propriamente dita, é necessário que esclareçamos os termos. Com “valores morais“, queremos dizer aquilo em que o ser humano se baseia como paradigma, padrão para agir bem ou mal. E, com “objetivos“, queremos dizer aquilo que é independente da opinião humana. Posto isto, podemos adentrar na argumentação da ausência de valores morais objetivos, caso Deus não exista.

A grande questão aqui é que, sem Deus, não há um padrão objetivo no qual você possa se basear para viver moralmente bem ou mal. Pense nisto: quando dizemos que alguém é alto ou baixo, só dizemos isso porque temos a altura da maioria das pessoas como paradigma. Logo, a pessoa a quem estamos dizendo ser alta ou baixa é alta ou baixa em relação à altura da maioria das pessoas. Portanto, nesse caso, temos um padrão, a partir do qual podemos nos basear para emitir uma proposição. E mais ainda, para qualquer proposição que se faça, é necessário haver um padrão para tê-la como verdadeira ou falsa. A proposição2: o céu é azul, por exemplo, requer a realidade do céu como padrão para que possamos tomar tal proposição como verdadeira ou falsa. Portanto, somente analisando o céu – nosso padrão – é que poderemos tomar tal proposição como verdadeira ou falsa.

Tendo esclarecido a questão da necessidade de um padrão, a grande pergunta que nós fazemos é: se Deus – um ser todo amoroso, todo bondoso, todo justo, todo santo e etc… não existe; em que coisa, então, podemos nos basear para agir bem ou mal. Qual outro ser além de Deus possui as características necessárias para ser um padrão objetivo de moralidade? A resposta óbvia é: nada! Nenhuma outra coisa na existência, exceto Deus, é adequada para ser um padrão de moralidade objetivo. A razão para isso é bem simples, somente Deus – em seu conceito tradicional3 – é perfeitíssimo e, portanto, o único ser adequado para ser o padrão de moralidade objetivo. Pelo mero fato de que não é possível nos basearmos em um padrão moral imperfeito para agirmos moralmente bem. A consequência disso seria que em várias circunstâncias agiríamos maleficamente, pois se há um problema com o padrão no qual nos baseamos; certamente, haverá um problema nas ações que são reflexo desse padrão.

Agora pensem na consequência disso. Se Deus não existe, todos os crimes, todas as barbaridades, toda tortura sem razão, todo racismo, homofobia e coisas do tipo não são coisas más! Isso mesmo! Porque a consequência da ausência de um padrão metafísico, no qual possamos nos basear, é que não existe bem ou mal. Sendo, portanto, a bondade ou a maldade coisas subjetivas às pessoas, isto é, o que é bom ou mal depende da opinião de cada um. Ninguém, por conseguinte, poderia dizer que estupro, tortura à inocentes, racismo e coisas do tipo são más. Porque, como já foi argumentado, não há um padrão no qual se basear, a partir do qual é possível condenar tais coisas como más.

                                               Ausência de Sentido Último

“Aqui estamos todos nós, comendo e bebendo para preservar nossa preciosa existência, e realmente não há nada, nada, absolutamente nenhuma razão para existir.”4

Antes de adentrarmos no argumento, assim como no tópico anterior, é necessário que estabeleçamos os termos. Com sentido, queremos dizer o motivo pelo qual alguém existe. Com último, queremos dizer o motivo pelo qual a pessoa foi criada pra ser independente da opinião dela, pois é possível criar sentidos subjetivos.

A vida sem Deus, de fato, se torna um grande vazio. O ser humano simplesmente existe e é só isso. Ele está meramente jogado no caos da existência, não há nenhum sentido especial em existir, tudo o que o ser humano tem a fazer é evitar ser consumido pelo tédio. O ser humano sem Deus não possui, portanto, nenhum valor. Sequer faz alguma diferença se ele existe ou não. Ele não passa de um acidente cósmico vindo, por conseguinte, a existir por mero acaso, por sorte, por mera indeterminação.

Contudo, alguém poderia argumentar: “a minha vida é importante em relação a tal coisa ou alguém”. Mas, e esse é o ponto nevrálgico, a sua vida pode ser importante em relação a algo ou alguém; todavia, para todas as coisas para as quais a sua vida é relativamente importante, tais coisas, na medida em que também não possuem um sentido último, não possuem importância alguma. Portanto, a existência sem Deus não tem qualquer importância. Como nos diz William Lane Craig: “Se toda pessoa deixa de existir quando morre, então, que sentido último há em viver? Será que faz alguma diferença no final ter ou não sequer existido?”5

Somente Deus é capaz de fornecer um sentido último para a vida, como aquele que nos projeta, nos cria, tem um plano para nós, permite-nos relacionarmos com ele, que é um ser que todo ser humano deseja na medida em que é perfeitíssimo – contendo, assim, todos os atributos desejáveis – por mais que alguém não admita. Portanto, se Deus existe, temos um sentido último em existir e somos importantes.

                                               Ausência de Propósito Último

Outra implicação da não existência de Deus é a ausência de propósito último. Ou seja, um propósito para o qual todos nós fomos criados. Uma finalidade.

Se Deus não existe, não há nenhum objetivo pelo qual estamos no mundo. Ora, se não há nenhum objetivo pelo qual estamos no mundo, não importa a maneira que vamos agir no mundo, nosso destino será o mesmo e nada do que fizermos mudará isso. Nós todos iremos ter o mesmo fim. Assim sendo, qual a importância de existir? A ciência, pela segunda lei da termodinâmica, já nos demonstra que a energia utilizável do universo está se esgotando, de modo que o universo inevitavelmente chegará a um ponto tal de superaquecimento ou super resfriamento que não permitirá qualquer vida nele. A humanidade, portanto, desaparecerá. Dessa forma, tudo se torna inútil, tudo tem um fim, é passageiro e tudo o que sobrará será um universo supercongelado ou aquecido se expandindo para sempre e para sempre.

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Todavia, se Deus existe, a situação é bem diferente. Nesse caso, todos nós fomos criados com um propósito e, a depender de nossas atitudes, teremos destinos distintos, de modo que podemos existir para sempre junto com Deus, que é um ser perfeitíssimo, um ser que possui todas as qualidades em máximo grau. E, vejam bem, a questão aqui não é simplesmente imortalidade, a vida continuaria sem nenhum valor se esse fosse o caso. Pensem na seguinte ilustração: um astronauta foi para o espaço em alguma missão; porém, por algum motivo, sua nave estragou, de modo que ele se encontrava totalmente sozinho e sem rumo no universo. Ele tem consigo uma porção da vida eterna e uma porção que o mataria instantaneamente. Se fosse você, qual porção tomaria? O astronauta decidiu tomar a porção da morte instantânea; porém, por alguma confusão, ele acabou tomando a porção da vida eterna6. Que triste vida eterna a desse astronauta! Fadado a permanecer vagando solitário no universo para todo o sempre. Pois bem, essa ilustração visa demonstrar que a eternidade por si só não é algo bom ou desejável.

Porém, uma imortalidade com um ser perfeitíssimo que realiza todos os anseios do ser humano de modo imensamente maior do que podemos imaginar, sendo todo amoroso, justo, bom, misericordioso é uma eternidade totalmente boa e, portanto, desejável.

                                                                Conclusão

As implicações da não existência de Deus são absurdas. Ninguém consegue viver feliz sendo ateu e coerente com essas implicações. Por conta disso, convidamos todos vocês a refletirem sobre Deus, sobre sua existência, sua natureza e seu sacrifício na cruz por nós. Visto que, sem ele, sua vida é um absurdo, não tendo mais importância que um enxame de moscas. Só somos valiosos porque Deus existe e nos ama.

Fonte: Ponderationes Filosóficas – A futilidade da Vida sem Deus

1- Richard Dawkin, River out of Eden: a Darwinian View of Life (Nova York: Basic Books, 1995), 113.

2- Proposição é um juízo sobre um determinado ente que pode ser negado ou afirmado.

3- O ser do qual não se pode pensar nada maior.

4- Jean Paul Sartre, A Náusea. 3a ed. São Paulo: Saraiva, 1964

5/6- Em Guarda – William lane Craig

 

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